Estudos questionam sucesso de exames que identificam câncer de próstata

No mês passado, dois grandes estudos dos Estados Unidos e da Europa descobriram que o exame APE (antígeno prostático específico) ? o exame de sangue anual usado para detectar câncer de próstata em homens ? consegue salvar poucas vidas, quando consegue salvar alguma, ao mesmo tempo em que expõem os pacientes a tratamentos agressivos e desnecessários, capazes de deixá-los impotentes e incontinentes. Essas notícias foram desconcertantes e causaram confusão em muitos homens de meia-idade, particularmente aqueles que já receberam diagnóstico de câncer de próstata como resultado do exame APE. Médicos afirmam que alguns homens estão reconsiderando cirurgias ou tratamentos com radiação antes planejados. Outros, convencidos de que suas vidas foram salvas pelo exame APE, se perguntam como alguém pode questionar o valor da detecção precoce do câncer de próstata. Diante de toda esta confusão, o que um homem deve pensar? Aqui vão algumas respostas às perguntas frequentes. O que os estudos realmente mostraram? A conclusão de ambos os estudos é que o exame APE encontra, sim, mais casos de câncer de próstata ? entretanto, descobrir esse câncer precocemente não ajuda muito a reduzir o risco de morte em decorrência da doença. O estudo americano não mostrou nenhuma diferença estatística nos índices de morte por câncer de próstata entre um grupo de homens examinados através do procedimento e um grupo-controle que não foi. Os pesquisadores europeus descobriram que o exame APE reduz o risco de morte por câncer de próstata em cerca de 20%. No entanto, em termos de riscos individuais, não representa um grande benefício. Isso significa que um homem não examinado tem, em média, 3% de chance de morrer de câncer de próstata. Se um homem se submete a exames APE anuais, seu risco cai para 2,4%. E aqui há uma importante contrapartida. O exame APE aumenta os riscos de um homem ser tratado de um câncer nunca antes o prejudicado em primeira instância. O estudo europeu descobriu que, para cada homem ajudado pelo exame APE, pelo menos 48 receberam tratamentos desnecessários capazes de aumentar seu risco de impotência e incontinência. Dr. Otis Brawley, diretor médico da Sociedade Americana de Câncer, resumiu os dados europeus da seguinte forma: O exame tem 50 vezes mais probabilidade de arruinar sua vida do que salvá-la. Então, esses estudos estabelecem um debate sobre o valor do exame APE? Não necessariamente. Ambos têm falhas que dificultam a interpretação dos dados. O estudo americano não encontrou nenhum benefício no exame APE por um período de sete a dez anos. Porém, até agora, apenas cerca de 170 homens, de um grupo de 77 mil estudados, morreram de câncer de próstata. Esse tipo de câncer cresce lentamente, então é possível que, nos próximos anos, diferenças significativas nos índices de mortalidade entre os dois grupos possam emergir.