Entrevista: Ana Cristina Fernandes fala sobre atendimento a mulheres vítimas de violência – Coren-SP

Entrevista: Ana Cristina Fernandes fala sobre atendimento a mulheres vítimas de violência

O cuidado à saúde da mulher sempre esteve presente na trajetória de Ana Cristina Fernandes. Formada há 24 anos, com especialização em Enfermagem Obstétrica pela USP, atuou em maternidades e no acompanhamento de interrupção de gestação. A partir dessa vivência, encantou-se com essa área, conquistando o título de mestre em Saúde Coletiva e Violência Sexual.

Movida por essa paixão, ingressou em 2005, no Hospital Pérola Byington, referência em saúde da mulher e, em 2010, foi transferida para o Núcleo de Atenção Integral à Mulher em Situação de Violência Sexual (AVS) da instituição, assumindo o projeto Bem-Me-Quer, como enfermeira responsável.

A iniciativa de oferecer atendimento e assistência a vítimas de violência sexual, em um projeto que articula Secretarias de Segurança Pública, de Saúde e de Assistência e Desenvolvimento Social e a Procuradoria Geral do Estado, teve início em 2001 e foi pioneira no Brasil. Coube à enfermagem um importante papel nas diversas áreas da assistência, desde o acolhimento até a complexa atuação na área forense.

Atualmente, Ana Cristina integra os Núcleos AVS e de Reprodução Humana, mas o orgulho de ter feito parte do Projeto Bem-Me-Quer a acompanha em sua caminhada.

Em entrevista à Enfermagem Revista, ela fala sobre os desafios para a implantação de uma iniciativa inédita e transformadora.

Enfermagem Revista: Como o projeto Bem-Me-Quer foi idealizado?

Ana Cristina: O projeto surgiu em 2001, com a necessidade de dar continuidade ao atendimento às vítimas violentadas sexualmente, com acolhida, exames e amparo psicossocial. Para regulamentar, foi publicado o Decreto nº 46.369/01, prevendo que as Secretarias de Segurança Pública, de Saúde, e de Assistência e Desenvolvimento Social e a Procuradoria
Geral do Estado prestariam a assistência médica legal, ambulatorial, social, psicológica e jurídica a essas vítimas. O Hospital Pérola Byington foi eleito para prestar este serviço,
por ser o local mais adequado para um atendimento humanizado e completo, uma vez que é referência em saúde da mulher, de alta complexidade.

ER: Como se estrutura o fluxo de atendimento e o encaminhamento ao hospital?

AC: As vítimas podem chegar pelo Pronto Socorro do Hospital Pérola Byington, por outras unidades de saúde, pelo Instituto Médico Legal (IML) e pelas delegacias, no momento do registro do Boletim de Ocorrência (BO), quando são orientadas a cuidar das sequelas do abuso sexual.Temos carros próprios e descaracterizados, que trazem essas vítimas, companhadas por um investigador. Do mesmo modo, quando recebemos vítimas e elas desejam fazer o BO, nós as levamos à delegacia. Para ser atendida na parte médica, não é necessário registrar o BO, nem residir na cidade de São Paulo.

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