2º Simpósio de Saúde da Mulher debate empoderamento e igualdade de gênero – Coren-SP

2º Simpósio de Saúde da Mulher debate empoderamento e igualdade de gênero

A desigualdade de gênero impõe diversas barreiras às mulheres na conquista de direitos e exercício da cidadania plena. Esta realidade também se reflete na área da saúde, em que as particularidades do sexo feminino muitas vezes não são respeitadas ou reconhecidas. Disposto a debater o tema e a transformar esta realidade, o Coren-SP promoveu a segunda edição do Simpósio de Saúde da Mulher, em 13/3, na capital. 

Presidente Fabíola Campos (ao centro) com palestrantes 

O evento debateu o acesso da mulher aos serviços e o seu empoderamento em relação às políticas de saúde. A presidente do Coren-SP frisou que o livre arbítrio da mulher deve ser respeitado na assistência e que o machismo deve ser combatido. “As mulheres têm o direito de escolher sobre a sua própria saúde e, para isso, temos o dever de incentivar o seu empoderamento. O Coren-SP, desde 2012, está fomentando discussões sobre a dimensão ético-política da enfermagem, para que os profissionais se apropriem destas questões e trabalhem com transversalidade os direitos, os deveres, a ética e a legislação”. 

A coordenadora das Câmaras Técnicas do Coren-SP, Marcília Gonçalves, compôs e mesa de abertura ao lado da presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras do Estado de São Paulo (Abenfo), Rosemeire Sartori, e da coordenadora do Grupo de Trabalho (GT) de Saúde da Mulher, Sandra Cason. Ela apresentou os Grupos de Trabalho que abordam a atuação da enfermagem em diversos campos, sendo um deles específico sobre saúde da mulher. “A união da nossa categoria e a participação dos profissionais nestes debates é fundamental para avançarmos”, disse. 

Sandra Cason, Marcília Gonçalves e Rosemeire Sartori 

Para a presidente da Abenfo, “a parceria com o Coren-SP é um grande avanço para a qualificação da assistência oferecida à mulher”. Ela ainda destacou a necessidade de discutir a atuação da enfermagem na área. “Somos muito bem preparados para trabalhar com rotina, porém precisamos aprender a ouvir, para não perdermos a oportunidade de atender as necessidades daquela mulher”, afirmou Rosemeire. 

Sandra Cason fez um alerta para a questão da desigualdade de gênero e também em relação aos vulneráveis. “Os desafios são muitos, mas as mulheres vêm se empoderado e conquistando seu lugar na sociedade. Precisamos abordar que tipo de cuidados elas estão recebendo, mas também os indígenas, quilombolas, negros. Como podemos nos aproximar destas comunidades?”, indagou

Direitos e conquistas 

Silvia Nascimento Pena. Ana Cristina Amaral, Marisa Ferreira Lima e Rosemeire Sartori

O histórico de conquistas das mulheres no campo social e da saúde foi apresentado pela enfermeira membro da área técnica de Saúde da Mulher do Estado de São Paulo, Marisa Ferreira Lima, que apresentou a enfermagem como um agente de mudança social. “Precisamos entender nossa importância como profissionais de saúde, que acolhem, ouvem e levam informações”. Ela ressaltou a necessidade de se eleger representantes mulheres na política, tendo em vista que a maioria são homens, e portanto, definem as políticas públicas  “Enquanto não houver paridade de gênero nas esferas de representação não haverá a garantia dos nossos direitos”. 

Em 2011, foram constatados muitos casos de recém-nascidos abandonados em caçambas e latas de lixo. A partir desta realidade, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) fez um levantamento no Estado e constatou o fato também em cidades pequenas e estabeleceu uma comissão composta pelas secretarias de saúde e educação e grupos de adoção. “Buscamos abordar este estigma, dos motivos que levam a mulher a abandonar um filho e, assim, criar uma forma de que ela o entregue de forma segura”, explicou Ana Cristina Amaral, coordenadora do Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJ-SP, Ana Cristina Amaral.

Inúmeros são os fatores que levam ao abandono: incesto, estupro, violência, falta de condições para criar o filho, entre outros fatores.  A assistente social que atua no no núcleo do TJ, Silvia Nascimento Pena, disse que o profissional de saúde tem o papel de ouvir essas mulheres, sem emitir qualquer julgamento moral. “Muitas vezes nós simplesmente reagimos, mas devemos entender o contexto, sem julgar, e buscar dispositivos para lidar com isso”. Ela sugeriu que as instituições desenvolvam capacitações e discussões de casos de forma multidisciplinar. 

Desafios

 Carmen Silvia, Meire Miyuki e Ivanilde Rocha 

A mesa “Desafios a serem enfrentados na saúde”, foi moderada por Ivanilde Rocha, enfermeira obstetra de parto domiciliar e professora da Universidade Adventista de São Paulo, e contou com uma palestra da pediatra Carmen Silvia Bruniera Domingues, sobre o Panorama da Sífilis no Estado. Ela destacou as principais características epidemiológicas da doença, sobretudo no que se refere à transmissão de mãe para filho durante a gravidez.

Apesar de a sífilis ser tratável e evitável, ainda existem muitos casos no país e no estado de São Paulo, o que se explica pela falta de exames pré-natais necessários. “Nascer com sífilis hoje é um absurdo. Indica que tivemos um pré-natal inadequado. É uma doença que, apesar de ser um pouco difícil de ser diagnosticada, é simples de ser tradada”, disse.

Segundo a médica, o problema da sífilis poderia ser melhor resolvido no âmbito do sistema público de saúde. “O enfermeiro obstetra e o obstetriz têm que estar na unidade básica de saúde. Isso ajudaria muito a reduzir a incidência da sífilis congênita”.

A  enfermeira pediatra Meire Miyuki Setoguti Rabelo falou sobre o Panorama de assistência à mulher no rastreamento do câncer de colo e mama. Ela explicou as diversas formas de diagnóstico e prevenção dos cânceres femininos, atualizando o público presente sobre as novidades e diretrizes mais recentes nessa área. “Muitas mulheres e profissionais de saúde ainda acreditam, por exemplo, que o autoexame para o câncer de mama seja positivo. Porém sabemos que ele pode atrapalhar, pois a mulher que o faz tende a não recorrer a exames clínicos para a detecção da doença e nem sempre o autoexame é capaz de detectar nódulos em formação”, explicou.