Guarulhos: Encontro de Responsáveis Técnicos debate gestão e liderança – Coren-SP

Guarulhos: Encontro de Responsáveis Técnicos debate gestão e liderança

O Coren-SP reuniu grandes nomes da enfermagem no Encontro de Responsáveis Técnicos promovido em Guarulhos, na última quarta-feira (16), no Teatro Padre Bento. Com o tema “Gerenciamento em enfermagem com foco no dimensionamento na atenção à saúde”, o evento contou com palestras de Paulina Kurcgant, Fernanda Fugulin, Daiana Bonfim e Luiza Watanabe Dal Ben.

Mesa de abertura: Maria Cristina Massarollo, Fabíola Campos, Merilin Vieira e Paulo Cobellis 

A presidente do Coren-SP, Fabíola Campos, destacou a importância de a enfermagem se empoderar dos processos de gestão. “Quando assumimos o Coren-SP iniciamos as oficinas de dimensionamento em todo o Estado, porque esta é uma ferramenta de gestão e empoderamento da enfermagem”, disse.

O conselheiro Paulo Cobellis, de Guarulhos, elogiou os profissionais de enfermagem da cidade devido à grande participação no evento e enfatizou a importância da união da categoria. “Juntos, unidos e organizados somos mais fortes e capazes de atingir nossos objetivos”.

A conselheira Maria Cristina Massarollo também participou da mesa de abertura, ao lado da coordenadora da assistência de enfermagem na divisão técnica de Tecnologia de Saúde de Guarulhos, Merilin Vieira de Oliveira Alencar. “O Coren-SP vem nos acompanhando e apoiando a enfermagem do município em todas as ações. Essa atividade é muito importante porque nós, enfermeiros, devemos utilizar o dimensionamento como respaldo e planejamento”, afirmou.

Profissionais com experiência nos diversos níveis da assistência participaram da mesa “O dimensionamento em enfermagem em diferentes contextos da atenção à saúde”, moderada por Merilin Vieira de Oliveira Alencar e Raquel Coutinho, professora titular e Coordenadora Geral dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Paulista (UNIP). 

Luiza Dal Ben, Merilin Vieira, Fernanda Fugulin, Raquel Coutinho e Daiana Bonfim

A enfermeira Luiza Watanabe Dal Ben, coordenadora do Grupo de Estudos sobre Assistência Domiciliar do Núcleo Metropolitano São Paulo (Numesp) da Rebraensp, abordou o dimensionamento neste campo de atuação. “Mesmo os enfermeiros que não trabalham com atenção domiciliar, mas atuam em hospitais, devem conhecer as normas que regulamentam esse tipo de assistência, para ter respaldo ao receber um paciente que passa por esse tipo de cuidado”, orientou. Ela expôs a diferença entre assistência domiciliar, na qual o enfermeiro define a frequência necessária para visitas; e a internação domiciliar, que exige a presença diária do profissional.

A atenção básica foi abordada por Daiana Bonfim, pesquisadora em programas governamentais do Instituto Israelita de Responsabilidade Social Albert Einstein (IIRS) e pesquisadora no Observatório de Recursos Humanos em Saúde da Escola de Enfermagem da USP.

Fernanda Fugulin, especializada em Administração de Serviços de Saúde e Gerenciamento de Enfermagem  e docente da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, abordou o dimensionamento na atenção hospitalar. Ela mostrou a importância de otimizar as intervenções previstas para cada paciente, pois isso contribui com a gestão do tempo, como, por exemplo, medir os sinais vitais no momento em que for realizar outros procedimentos. “A padronização e otimização das intervenções, procedimentos e protocolos proporciona mais tempo para dedicar aos pacientes”, disse, lembrando que o dimensionamento deve considerar duas variáveis principais: a carga de trabalho e o índice de segurança técnica.

Fugulin também abordou “O impacto do dimensionamento de enfermagem nas organizações de saúde”. Ela alertou que as instituições precisam modernizar as formas de trabalho e as políticas de recursos humanos. “Quando o quantitativo de profissionais diminui, há aumento da taxa de mortalidade, infecção hospitalar, absenteísmo, presenteísmo e rotatividade”.

As competências ético-políticas do enfermeiro para o dimensionamento de pessoal foram apresentadas por Paulina Kurcgant, doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo, instituição onde atua como professora titular há 40 anos. Ela mostrou que os Responsáveis Técnicos devem elaborar as propostas de trabalho com base no monitoramento de atividades e análise de resultados, que deve ser realizada com a participação de toda a equipe. “É preciso usar de forma reflexiva os conhecimentos, instrumentos e ferramentas gerenciais”.

Fabíola Campos e Paulina Kurcgant

Ela ainda destacou que a dimensão ético-política envolve a capacidade de definir coletivamente os processos de enfermagem e de ouvir e compartilhar decisões.

A presidente Fabíola Campos moderou as dúvidas dos participantes e incentivou os Responsáveis Técnicos. “Vocês são instrumento de maior poder. Quando vocês abrem espaço para o grupo, eles descobrem a condição ético-política”, disse.