Entrevista: Fernanda Fugulin fala sobre gestão em Enfermagem – Coren-SP

Entrevista: Fernanda Fugulin fala sobre gestão em Enfermagem

A gestão é um dos maiores desafios da Enfermagem nas instituições de saúde e envolve estratégias que impactam diretamente a qualidade da assistência prestada à população, a segurança do paciente e as condições de trabalho dos profissionais.

A enfermeira e professora da disciplina de Administração em Enfermagem da USP, Fernanda Fugulin, considera as questões técnicas importantes, porém acredita que a categoria deve atribuir conotação política ao tema, se apoderando dos instrumentos gerenciais e participando do direcionamento das políticas de gestão das instituições, especialmente das relacionadas ao gerenciamento de recursos humanos, tais como o dimensionamento de profissionais.

Ela coordenou o Grupo de Trabalho do Coren-SP sobre o tema e conduziu um estudo que resultou no pedido de revisão da Resolução 293/2004 do Cofen, que estabelece os parâmetros de dimensionamento dos profissionais de Enfermagem nas instituições de saúde.

Mestre e doutora em Enfermagem, Fernanda concedeu entrevista à Enfermagem Revista na qual incentiva a categoria a ocupar os espaços de gestão e a unir forças para vencer a queda de braço diária com as instituições de saúde em busca das condições ideais para o exercício da profissão e o atendimento de excelência. 

Enfermagem Revista: Por que a Enfermagem enfrenta tantas dificuldades para exercer papéis gerenciais?

Fernanda Fugulin: A gestão em Enfermagem, particularmente no que se refere a recursos humanos, é um processo que envolve treinamento, desenvolvimento e avaliação dos profissionais, estabelecimento de plano de carreira, revisão continuada dos processos de trabalho, elaboração de protocolos, monitoramento de indicadores gerenciais e assistenciais visando a saúde do trabalhador e a assistência de qualidade. Nesse contexto, acredito que os enfermeiros precisam se conscientizar da importância de utilizar os instrumentos gerenciais e assistenciais disponíveis. Um exemplo disso é o fato de que muitas instituições não desenvolvem o Processo de Enfermagem (PE). Isso ocorre porque os enfermeiros se sentem sobrecarregados e acreditam que não podem gastar o seu tempo com algo que consideram burocrático. Eles não percebem que o PE é uma importante ferramenta que orienta a organização e a coordenação do cuidado e a implementação de ações de Enfermagem, por meio das quais o profissional exerce sua autonomia.

ER: Como superar esses desafios de forma que a Enfermagem protagonize a gestão nas instituições de saúde?

FF: É uma questão tanto política quanto técnica. Os profissionais devem se apoderar dos instrumentos gerenciais e se conscientizar de que isso envolve um compromisso com a qualidade do serviço prestado à população, além de garantir a autonomia da Enfermagem.

ER: Qual a importância do dimensionamento neste contexto?

FF: É uma questão fundamental da organização do processo de trabalho da Enfermagem. Se você não tem um quadro de profissionais adequado às necessidades da clientela – tanto quantitativo, quanto qualitativo – isso vai interferir, diretamente, na execução de todo processo de trabalho e, mais do que isso, haverá consequências na assistência direta, na segurança do paciente e na segurança do profissional, comprometendo também a seguran- ça da própria instituição de saúde, sujeita aos erros que podem ocorrer devido à demanda por pessoal. O dimensionamento é importante do ponto de vista do planejamento, que deve ocorrer no momento da abertura de um serviço de saúde e da avaliação, feita para mensurar se o quantitativo e o qualitativo existentes estão adequados. Embora as pessoas pensem que o dimensionamento é feito apenas na abertura de uma instituição, ele é um processo sistemático que deve ser periódico, para verificar se o pessoal está de acordo com as demandas da clientela assistida. 

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