1º Encontro de Atualização em Segurança do Paciente debate avanços e desafios da área – Coren-SP

1º Encontro de Atualização em Segurança do Paciente debate avanços e desafios da área

Uso seguro de medicamentos, prevenção de quedas e de lesões por pressão, envolvimento do paciente em sua própria segurança. Estas foram algumas medidas abordadas por profissionais dos diversos campos de atuação da Enfermagem durante o 1º Encontro de Atualização em Segurança do Paciente, promovido pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e pela Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (Rebraesnp), nos dias 24 e 25 de novembro.

Profissionais de Enfermagem lotaram o auditório do Coren-SP Educação em busca de informações e aprimoramento. A presidente Fabíola de Campos Braga Mattozinho destacou a importância da parceria com a Rebraensp. “A segurança do paciente é um tema com transversalidade em todas as áreas da assistência. Precisamos ter atitude para mudar a realidade, mas não conseguimos fazer sozinhos e, por isso, é fundamental nos unirmos para efetivar essa transformação conjuntamente”, afirmou, durante a mesa de abertura no dia 24/11.

Presidente do Coren-SP, Fabíola de Campos Braga Mattozinho 

Liliane Bauer Feldman, coordenadora do GT de Segurança do Paciente do Coren-SP e membro da Rebraensp, incentivou os participantes a se envolverem no processo. “A Enfermagem é o maior contingente de profissionais de saúde do país e deve assumir a vanguarda dos processos de segurança do paciente”. Ela ainda apresentou os temas abordados no guia “Uso seguro de medicamentos”, que será publicado pelo GT. “Sabemos que danos relacionados a medicamentos estão entre os mais recorrentes e que os eventos adversos relacionados ao seu uso podem ser previstos e prevenidos”, constatou.

Liliane Bauer Feldman, coordenadora do GT de Segurança do Paciente do Coren-SP

Ariadne da Silva Fonseca representou a Associação Brasileira de Enfermagem – São Paulo (ABEn-SP) na mesa de abertura. “Como Enfermagem, temos que nos policiar para fazer sempre o melhor e trabalhar em prol da segurança daquele que nos procura: o paciente”.

Incidentes relacionados à assistência à saúde

Maria de Jesus Harada, Marcilia Rosana Gonçalves,Jenny del Carmen Arcentales Herrera 

A primeira mesa de debates, mediada pela coordenadora das Câmaras Técnicas do Coren-SP, Marcilia Rosana Gonçalves, abordou os incidentes relacionados à assistência à saúde pela Anvisa. Maria de Jesus Castro Sousa Harada, diretora científica da Unfusion Nurses Society-Brazil e membro do GT de Segurança do Paciente do Coren-SP, apresentou a resolução 36/2013 da Anvisa, que institui ações para a segurança do paciente nas instituições e as dificuldades enfrentadas para o seu cumprimento. “É um desafio manter as equipes atualizadas em relação aos protocolos e, além disso, poucos são os profissionais que prestam assistência com tempo e recursos necessários para garantir a segurança do paciente”, avaliou.

O que nós temos desenvolvido sobre Segurança do Paciente?

Coren-SP, Rebraensp e ABEn-SP se reuniram em uma mesa redonda, mediada pela enfermeira especialista em administração hospitalar, Luiza Watanabe, e apresentaram as ações que estão desenvolvendo para fomentar a segurança do paciente entre profissionais e instituições. Fabíola Mattozinho abordou a atuação do GT do Coren-SP e o Programa de Educação Permanente. “A capacitação constante dos profissionais é fundamental para garantir a qualidade da assistência”. A presidente também destacou as parcerias com as sociedades de especialistas, para aprofundamento nas diversas áreas de atuação da Enfermagem, e a luta do Conselho por uma formação de qualidade, debatendo temas como o Ensino a Distância (EaD). “Temos que despertar a dimensão ético política dos profissionais, para que conheçam suas responsabilidades e competências”.  

Ariadne da Silva Fonseca expôs a atuação da ABEn como as atividades de formação.  “A formação de competências tem que ser contínua, tendo em vista os avanços tecnológicos e a aquisição de novos conhecimentos”.

De acordo com Maria Regina Lourenço Jabur, a Rebraensp está debatendo as diretrizes de segurança do paciente nacionalmente, orientando as instituições sobre a implantação dos núcleos e apostando na parceria com universidades e escolas técnicas para a inserção da disciplina segurança do paciente nos currículos.

Envolvimento do paciente

A mesa “Experiências no envolvimento do paciente nos diferentes níveis de atenção à saúde”, moderada por Marta Maria Melleiro, líder do Grupo de Pesquisa Qualidade e Avaliação de Serviços de Saúde e Enfermagem da USP, expôs práticas desenvolvidas na atenção primária, secundária e terciária. O enfermeiro e educador do Centro de Promoção da Saúde do Hospital das Clínicas da USP-SP, Alfredo Pina, mostrou as técnicas utilizadas para envolvimento do paciente em sua própria segurança, citando o “Teach me back” (ensina de volta), que faz com que o paciente relate como vai planejar e adotar no dia-a-dia o cuidado transmitido pela Enfermagem.

         A abordagem sobre atenção secundária foi conduzida por Tatiane Felix Teixeira, enfermeira da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Universitário da USP. Ela falou sobre o envolvimento da família, fortalecendo o seu vínculo com a equipe, e o programa de visitação dirigido aos irmãos de pacientes prematuros. “Seguimos os princípios da dignidade, respeito, partilha de informações e colaboração entre as famílias e profissionais”.

Fernanda Paulino Fernandes Anjos, consultora de Gerenciamento e Vigilância do Risco do Hospital Albert Einstein, destacou a necessidade de se “abandonar o modelo que apenas detecta os problemas médicos e partir para outro em que se mede a capacidade dos pacientes em contribuir”. Para isso, a instituição implantou conselhos consultivos; processos de definição de metas de cuidado por meio da parceria enfermeiro-paciente; e o “disclosure”, que consiste em revelar ao paciente o acontecimento de eventos adversos e a postura que a instituição adotará.

Pesquisas e possibilidades de estudos

 

Mediada por Patrícia Pavan, vice-coordenadora do programa de pós-graduação em Gerenciamento em Enfermagem da USP, a mesa sobre pesquisas e possibilidades de estudo discutiu a abordagem da segurança do paciente no meio acadêmico. Carmen Silvia Gabriel, professora Associada da USP de Ribeirão Preto, apresentou trabalhos de mestrado de doutorado que pesquisaram a temática. Um deles mostra que apenas 45% dos entrevistados reconhece a morfina como um Medicamento Potencialmente Perigoso (MPP) e que a maioria dos profissionais não notifica eventos adversos porque as instituições abordam posturas punitivas.

Elena Bohomol, professora adjunta da Escola Paulista de Enfermagem da Unifesp, problematizou os assuntos que devem ser abordados ao se pesquisar sobre a segurança do paciente. “Onde está o problema? Em que posso melhorar e inovar?”, indagou. Para ela, é fundamental envolver as ciências sociais, humanas e exatas no processo e também investigar a satisfação do paciente.

Compartilhando experiências

No período da tarde, foram promovidos painéis para apresentação das experiências vivenciadas nos diversos campos da Enfermagem, como serviços de assistência e ensino técnico e superior. Confira a seguir os palestrantes.  

Mesa: Subgrupos de Ensino Técnico e Superior

Moderação: Márcia Martins, vice-coordenadora da Subcomissão de Segurança do Paciente do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Ensino Técnico

Débora Maria Alves Estrela  Diretora da Escola de Enfermagem São Joaquim da Beneficência Portuguesa.

Carmen Silvia Vieira Peres – Coordenadora da Escola Técnica de Educação em Saúde (ETES) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Ensino Superior

Marta Maria Melleiro – Professora associada junto ao Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da USP.

 

Mesa: Subgrupos de Serviços de Assistência

Moderação: Rosemeire Keiko Hangai, enfermeira do Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e Fundação Getúlio Vargas. Confira a seguir as áreas abordadas e seus respectivos representantes.

Hospitais Privados

Luana Lopes Marques – Enfermeira de Pesquisa Clínica e Protocolos de Nefropatia Induzida por Contraste, Injúria Renal Aguda e Cuidados Paliativos do Hospital Bandeirantes.

Hospitais Públicos SP

Loraine Martins Diamente – Gerente de Risco Hospitalar do Hospital Sentinela.

Hospital Universitário

Gisele Abrão Queiroz – Enfermeira do Pronto Socorro Infantil do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo – USP.

Hospital das Clínicas

Márcia Martins – Vice-coordenadora da subcomissão de Segurança do Paciente do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina

Gina Vilas Boas Lima Tarsitano – Diretora de Enfermagem no Hospital Geral de Guarulhos.

Apoio Diagnóstico

Rosemeire Keiko Hangai – Enfermeira do Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – FMUSP e Fundação Getúlio Vargas.

Assistência Pré-Hospitalar

Ricardo Mendes dos Santos – Membro do Grupo de Estudos Segurança e Tecnologia da Unifesp. 

Assistência Domiciliar

Luiza Watanabe Dal Ben – Diretora do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SINDHOSP) e  membro do Grupo Técnico de Estudo de Desospitalização da Secretaria do Estado de São Paulo.            

Instituição de Longa Permanência

Aparecida Yoshie Yoshitome – Enfermeira do Departamento de Saúde Coletiva da Escola Paulista de Enfermagem da Unifesp.

Atenção Básica

Telma Souza Nascimento Porto – Assessora técnica em Qualidade na Atenção Primária na Casa de Saúde Santa Marcelina.

Vale do Ribeira – Registro

Jenny del Carmen Arcentales Herrera – Enfermeira pré-hospitalar no Serviço Inter-hospitalar Móvel do Vale do Ribeira – SIMOV.

Vale do Paraíba – São José dos Campos

Lucia Garcia Dantas Martins Silva – Coordenadora de Gestão de Riscos do Núcleo de Prevenção de Infecção e Eventos Adversos do Santos Dumont Hospital da Unimed São José dos Campos.

Região Santo André – São Bernardo, São Caetano, Diadema e ABCD

Tatiana Kazumi Yassuhara Kagaochi – Membro do Comitê de Mortalidade Materno-infantil do Município de Mauá.

Baixada Santista

Lilian Cadah – Coordenadora do Núcleo Santos da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente – Rebraensp e membro do Grupo de Trabalho Segurança do Paciente do Coren-SP.